Como calcular o preço da hora de mão de obra da oficina

A conta para descobrir quanto sua oficina precisa cobrar por hora para pagar as contas e sobrar lucro. Com exemplo fechado e os erros mais comuns.

7 min de leitura

Quase toda oficina pequena define o preço da hora olhando o que o vizinho cobra. Funciona até o mês em que o movimento cai e a conta não fecha — e aí ninguém sabe dizer se o problema foi o preço, o desperdício de peça ou o mecânico parado.

A conta certa não é complicada. Ela junta três coisas: quanto a oficina gasta por mês, quantas horas dá para vender de verdade e quanto você quer que sobre.

1. Some o custo fixo do mês

Custo fixo é o que você paga mesmo com a oficina vazia. Anote tudo, sem esquecer o seu próprio pró-labore — se você não se paga, a conta mente.

  • Aluguel e condomínio
  • Água, luz, internet e telefone
  • Salário e encargos dos mecânicos e do administrativo
  • Seu pró-labore
  • Contador, sistema, seguro, alarme
  • Manutenção de equipamento (elevador, compressor, scanner)
  • Impostos que não dependem do faturamento

Peça e insumo não entram aqui. Eles são custo variável e são cobrados à parte, dentro de cada ordem de serviço.

2. Descubra quantas horas dá para vender

Este é o passo em que quase todo mundo erra. Um mecânico contratado por 220 horas no mês não entrega 220 horas de serviço faturado. Tem café, almoço, limpeza, espera de peça, orçamento que não fecha, retrabalho e o carro que ficou no elevador esperando o cliente responder.

Na prática, a oficina pequena consegue faturar entre 60% e 75% das horas pagas. Se você nunca mediu, comece com 65% e ajuste depois de acompanhar dois ou três meses.

Horas vendáveis por mecânico

Horas contratadas no mês
220 h
Aproveitamento estimado
65%
Horas que dá para vender
143 h

3. Defina a margem que você quer

Custo coberto não é lucro. A margem é o que sobra para repor equipamento, atravessar mês fraco e crescer. Entre 20% e 30% é uma faixa saudável para oficina pequena. Abaixo de 15%, qualquer imprevisto vira prejuízo.

A conta fechada

Junte as três partes. O exemplo abaixo é de uma oficina com dois mecânicos e custo fixo de R$ 18.000 por mês.

Preço da hora

Custo fixo do mês
R$ 18.000
Horas vendáveis (2 mecânicos × 143 h)
286 h
Custo por hora (18.000 ÷ 286)
R$ 62,94
Margem desejada
25%
Preço da hora
R$ 83,92

Arredondando, essa oficina precisa cobrar R$ 85 por hora para pagar tudo e ainda ter 25% de margem. Se ela estiver cobrando R$ 70 porque o vizinho cobra isso, está trabalhando no prejuízo sem saber.

Como usar isso no orçamento

Com o preço da hora definido, o orçamento de cada serviço vira uma multiplicação simples: tempo estimado × preço da hora, mais as peças com a margem delas.

ServiçoTempoMão de obra
Troca de óleo e filtro0,5 hR$ 42,50
Troca de pastilha dianteira1,0 hR$ 85,00
Troca de correia dentada3,5 hR$ 297,50
Revisão completa2,0 hR$ 170,00

Depois que a tabela existe, o orçamento deixa de ser chute e passa a ser consulta. E fica igual para todo cliente, o que evita a situação constrangedora de cobrar dois valores diferentes pelo mesmo serviço.

Os erros que mais aparecem

  • Copiar o preço do concorrente sem saber o custo dele nem o seu.
  • Esquecer o pró-labore, o que faz o dono trabalhar de graça sem perceber.
  • Considerar todas as horas contratadas como vendáveis, o que derruba o preço em quase um terço.
  • Não refazer a conta quando o aluguel ou o salário sobe.
  • Dar desconto na mão de obra para fechar serviço, em vez de negociar prazo ou escopo.

Refaça a conta a cada seis meses

Custo fixo sobe sozinho, preço não. Marque no calendário: a cada seis meses, refaça a conta com os números atuais. Leva quinze minutos e evita descobrir o problema só quando o caixa aperta.

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